É difícil assistir a Desenrola e não se lembrar de As melhores coisas do mundo, lançado ano passado. Assim como aquele filme, o longa da diretora Rosane Svartmann retrata a juventude da classe média brasileira, com suas dúvidas e dilemas. A única diferença é geográfica: ao invés de São Paulo, a história aqui se passa no Rio de Janeiro. Só que ao contrário da obra de Laís Bodanski, mais sensível e profunda, Desenrola acaba apostando mais na comédia e nos clichês, o que torna a comparação entre os dois filmes possível de ser feita apenas pela superfície.
O filme conta a história de Priscila (Olivia Torres), que realiza o sonho de todo adolescente e fica 20 dias sozinha em casa depois que a mãe parte em uma viagem a trabalho. Nesse tempo, a menina aproveita para tentar conquistar o coração de Rafa (Kayky Brito) e conquistar o que parece ser o objetivo da vida da personagem (e de praticamente todos os jovens do longa): perder a virgindade. Durante esse processo somos apresentados a outros personagens que também passam por essa dilema, numa mistura de Malhação com American Pie.
Aqui temos a grande diferença entre os filmes de Bodanski e Svartmann: As melhores coisas do mundo também falava sobre as paixões da adolescência e das primeiras relações sexuais, mas não se resumia a isso; retratava acima de tudo as dúvidas e incertezas por quais passamos nessa fase da vida, desde as relações conflituosas com os pais até questões como assumir responsabilidades e tornar-se adulto. Já Desenrola abandona qualquer pretenção e é apenas uma comédia sobre adolescentes, com alguns momentos inspirados e outros nem tanto. O filme até tenta abordar temas mais complicados, como gravidez precoce e a descoberta da homossexualidade, mas eles são relegados ao segundo plano, recebendo um tratamento bastante superficial.
E como explicar a escalação de Pedro Bial (que desistiu definitivamente de ser jornalista e aqui se assume de vez como celebridade - mesmo ainda estando longe de ser considerado "ator")? A "inpretação" do apresentador nos joga completamente para fora do filme, nos dando a impressão de que estamos assistindo ao Big Brother na TV e não dentro de uma sala cinema. Outro que parece estar lá só pela fama é Kayky Brito, surgindo canastrão mesmo ao interpretar um personagem que é apenas músculos.
Apesar desses problemas, o elenco formado pelos jovens atores vai muito bem. As interpretações são seguras, realistas e sinceras. Destaque para a protagonista Olivia Torres e principalmente para os garotos Lucas Salles (Boca), Daniel Passi (Caco) e Vitor Thiré (Amaral). Todos aparecem muito naturais nos papéis, tanto nas cenas de humor quanto nas mais intimistas. São a alma da obra e por isso Desenrola acaba se tornando um filme verdadeiro acima de tudo, aproximando-o de seu público-alvo: os adolescentes.
Uma pena, portanto, que ele não consiga fascinar os espectadores mais maduros e nos fazer lembrar com nostalgia de quando todos éramos jovens e inseguros.
Desenrola (2011). Dirigido por Rosane Svartmann. Com Olivia Torres, Lucas Salles, Daniel Passi, Vitor Thiré, Kayky Brito, Marcela Barroso, Juliana Paiva, Claudia Ohana, Marcello Novaes, Letícia Spiller e Pedro Bial.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Cisne Negro
Cisne Negro é o irmão mais velho de O Lutador, filme anterior de Darren Aronofsky. Em diversos aspectos os longas se assemelham, seja pela temática ou pelo estilo. Se no primeiro o diretor mergulhava em um mundo intrinsecamente masculino (as lutas de vale-tudo) agora ele entra no universo feminino (o balé) com a mesma paixão. A protagonista é Nina (Natalie Portman), uma bailarina dedicada e superprotegida pela mãe que realiza seu sonho ao ser escolhida como protagonista do espetáculo "O Lago dos Cisnes", produzido pelo renomado Thomas Leroy (vivido por Vincent Cassel).
Assim como no longa de 2008, a câmera na mão de Aronofsky acompanha a protagonista em longas tomadas, seguindo seus passos. Essa dedicação à personagem fica clara com os planos fechados, esquecendo todo o mundo à sua volta - uma escolha acertada, já que o centro de Cisne Negro é exatamente o íntimo da protagonista. O trabalho de câmera também é primoroso durante as cenas dos ensaios e durante todo espetáculo final, retratando a fluidez de movimentos do balé - é como se tivéssemos sido transportados para dentro do filme e bailássemos junto com os atores.
Mas o filme não seria nada sem a atuação soberba de Natalie Portman. Vivendo uma personagem frágil, retratada pelo olhar inocente e pelo tom de voz inseguro, a protagonista esconde em seu interior sentimentos obscuros e complexos. É um insulto pensar que Portman não ganhe um mais que merecido Oscar por esse papel (apesar de eu ainda não ter visto Nicole Kidman em Rabbit Hole e de achar Jennifer Lawrence em Inverno da Alma espetacular). Quem também se destaca é Mila Kunis, que vive uma bailarina rival, esbanjando sensualidade.
Cisne Negro, acima de tudo, é um filme sobre a obsessão. Seus momentos mais chocantes lembram as obras do início da carreira de Aronofsky, como Réquiem para um sonho e Pi. Só que aqui eles vêm à tona como um pronfundo estudo de personagem e não são nada gratuitos. Nina, no fundo, é apenas mais uma dessas meninas frágeis de corpo e espírito, que se entregam à anorexia e à auto-mutilação em busca de um sonho. Nesse ponto, mais uma vez, ela não difere em nada do lutador vivido por Mickey Rourke, que também se flagelava ao tentar dar realismo às lutas que encenava. Aronofsky, mais uma vez, nos faz questionar até que ponto um ser humano pode ir por amor à sua arte.
Um longa maravilhoso de um diretor que a cada filme amadurece mais um pouco.
Black Swan (2010). Dirigido por Darren Aronofsky. Com Natalie Portman, Vincent Cassel, Mila Kunis, Barbara Hershey e Winona Ryder.
Assim como no longa de 2008, a câmera na mão de Aronofsky acompanha a protagonista em longas tomadas, seguindo seus passos. Essa dedicação à personagem fica clara com os planos fechados, esquecendo todo o mundo à sua volta - uma escolha acertada, já que o centro de Cisne Negro é exatamente o íntimo da protagonista. O trabalho de câmera também é primoroso durante as cenas dos ensaios e durante todo espetáculo final, retratando a fluidez de movimentos do balé - é como se tivéssemos sido transportados para dentro do filme e bailássemos junto com os atores.
Mas o filme não seria nada sem a atuação soberba de Natalie Portman. Vivendo uma personagem frágil, retratada pelo olhar inocente e pelo tom de voz inseguro, a protagonista esconde em seu interior sentimentos obscuros e complexos. É um insulto pensar que Portman não ganhe um mais que merecido Oscar por esse papel (apesar de eu ainda não ter visto Nicole Kidman em Rabbit Hole e de achar Jennifer Lawrence em Inverno da Alma espetacular). Quem também se destaca é Mila Kunis, que vive uma bailarina rival, esbanjando sensualidade.
Cisne Negro, acima de tudo, é um filme sobre a obsessão. Seus momentos mais chocantes lembram as obras do início da carreira de Aronofsky, como Réquiem para um sonho e Pi. Só que aqui eles vêm à tona como um pronfundo estudo de personagem e não são nada gratuitos. Nina, no fundo, é apenas mais uma dessas meninas frágeis de corpo e espírito, que se entregam à anorexia e à auto-mutilação em busca de um sonho. Nesse ponto, mais uma vez, ela não difere em nada do lutador vivido por Mickey Rourke, que também se flagelava ao tentar dar realismo às lutas que encenava. Aronofsky, mais uma vez, nos faz questionar até que ponto um ser humano pode ir por amor à sua arte.
Um longa maravilhoso de um diretor que a cada filme amadurece mais um pouco.
Black Swan (2010). Dirigido por Darren Aronofsky. Com Natalie Portman, Vincent Cassel, Mila Kunis, Barbara Hershey e Winona Ryder.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Os Globos influenciam o Oscar?
Hoje é dia da entrega do Globo de Ouro. Sempre nessa época vemos sendo espalhada por aí a ideia de que o prêmio é o principal termômetro para o Oscar, servindo como indicativo de quem será indicado e quem irá vencer as estatuetas da Academia. Talvez por falta de informação ou por auto-promoção, tenta-se vender essa ideia, facilmente aceita pelos preguiçosos de plantão, tornando-se uma espécie de senso comum da temporada de premiações.
Quem acompanha mais a fundo, sabe que a melhora maneira de "prever" o Oscar é através dos prêmios dos sindicatos e não pelos Globos. Estes são entregues por membros da imprensa estrangeira de Hollywood, enquanto naqueles os votantes são os próprios membros da Academia - os mesmos que tem poder de voto no Oscar. Logo, prêmios como o SAG Awards (dos atores), o DGA Awards (dos diretores) e o PGA Awards (dos produtores) são muito mais confiáveis como previsão do que qualquer outra premiação.
Isso quer dizer que o Globo de Ouro não influencia de forma alguma? Nada disso. Quer dizer que ele tem tanta influência quanto a Associação dos Críticos de Nova York ou o Festival de Toronto, com a vantagem de ter muito mais visibilidade na imprensa. Isso, claro, graças ao glamour e pelo fato de ser transmitido ao vivo pela TV. Mas os números mostram que essa influência é pequena, pelos menos no que se trata ao prêmio principal. Nos últimos sete anos, apenas em 2009 o vencedor do Globo de Ouro foi o mesmo do Oscar. Tem ficado claro que ao invés de influenciar, os Globos tentam prever quem irá ganhar a estatueta e têm se vendido como mais importantes do que realmente são.
A seguir, a lista dos vencedores do Globo de Ouro (de melhor drama e de melhor comédia/musical) e do Oscar nos últimos sete anos:
2005 - Globo: O Aviador e Sideways - Entre umas e outras; Oscar: Menina de Ouro
2006 - Globo: O Segredo de Brokebak Mountain e Johnny e June; Oscar: Crash - No Limite
2007 - Globo: Babel e Dreamgirls; Oscar: Os Infiltrados
2008 - Globo: Desejo e Reparação e Sweeney Todd; Oscar: Onde os fracos não têm vez
2009 - Globo: Quem quer ser um milionário? e Vicky Cristina Barcelona; Oscar: Quem quer ser um milionário?
2010 - Globo: Avatar e Se beber não case; Oscar: Guerra ao Terror
Ou seja, se A Rede Social confirmar hoje seu favoritismo e levar o Globo de Ouro para casa, não quer dizer que sairá como certo vencedor do Oscar. E, mesmo se levar a estatueta no dia 27 de fevereiro, a importância dessa possível vitória nos Globos não deve ser superdimensionada como querem seus organizadores.
Quem quer ser um milionário?, único filme nos últimos sete anos a vencer o Globo de Ouro e o Oscar
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Tron - O Legado
Vamos admitir: tirando alguns fanáticos por ficção científica, são poucos os que lembrariam hoje de Tron - Uma Odisseia Eletrônica. Filmado em 1982, o filme foi o primeiro a utilizar efeitos digitais em larga escala, mas seu roteiro confuso tornou o longa um tanto enfadonho. Hoje valeria apenas como curiosidade histórica, não ficando entre as obras mais memoráveis dos anos 80.
É curioso, portanto, que Hollywood tenha resolvido resgatar a história quase 30 anos depois. Trazendo como protagonista o jovem Sam Flynn (o insosso Garrett Hedlund), filho de Kevin Flynn (interpretado pelo mesmo Jeff Bridges do filme de 82), Tron - O Legado traz as ideias do original para o século XXI. Se naquela época Bill Gates mal havia criado a Microsoft e os conceitos de internet e interatividade estavam restritos apenas ao meio universitário, tornou-se inevitável adptar a história para abranger essa nova realidade. Ainda assim, podemos perceber uma certa igenuidade - também presente no primeiro longa - na maneira como a tecnologia e o mundo virtual são tratados. É como se o ciberespaço ainda fosse uma novidade inexplorada, não tendo havido nenhuma mudança nos últimos 28 anos na mentalidade de seus usuários.
Os roteiristas Edward Kitsis e Adam Horowitz não se preocupam muito em desenvolver e explicar a mitologia da série aos novos espectadores, o que é frustrante. Isso evidencia uma certa arrogância dos realizadores, que talvez imaginem o original como uma obra de relevância maior do que ela realmente tem, não havendo nenhuma introdução àquela realidade. É como se Kevin Flynn, a Grade e Tron fossem ícones de uma geração como Darth Vader, Spock ou os replicantes.
Assim como o longa de 82, Tron - O Legado aposta fortemente no visual e isso talvez seja seu único trunfo. Resgatando algumas marcas do original, como o design dos veículos e das roupas dos personagens, a fotografia nos mergulha num mundo sombrio, cujas unicas luzes são aquelas que representam os lados opostos na batalha (o azul dos mocinhos e o vermelho dos antagonistas). Vale como exercício assistir aos dois filmes e acompanhar como evoluiram os efeitos visuais criados por computador em 30 anos. Mesmo com tanto avanço, incomoda bastante a versão jovem de Jeff Bridges que, criada digitalmente, demonstra uma artificialidade que mais parece de um boneco de cera do que de um ser humano.
Bridges, como era de se imaginar, acaba criando o personagem mais interessante do filme, mesmo com as limitações impostas pelo roteiro. Comparações com o "Dude" de O Grande Lebowski foram feitas e são pertinentes - apesar do ator desta vez não ter uma atuação tão memorável. Quem acaba roubando a cena nos poucos momentos em que aparece é Michal Sheen, que interpreta uma espécie de Ziggy Stardust do mundo digital.
Mas a maior decepção com relação ao filme fica por conta do mal uso do 3D. Há até a tentativa do diretor Joseph Kosinski em criar uma espécie de "efeito O Mágico de Oz" ao empregar o 3D apenas nas cenas passadas dentro da Grade. Só que o próprio cineasta acaba se boicotando, ao gravar o filme com profundidade de campo baixa na maioria de suas cenas e mudando constantemente o foco da imagem. Ora, se o longa aposta na visão tridimensional porque usar técnicas típicas da linguagem em duas dimensões? Há que se considerar os fatores econômicos (o filme precisa ser vendido também em 2D, principalmente as cópias em DVD e Bluray, já que a maioria dos lares ainda não possuem tal tecnologia), mas fica claro que há sérias limitações na linguagem.
Apesar da ótima trilha sonora da dupla Daft Punk, Tron - O Legado fica abaixo até mesmo do original, que já não era grande coisa. Em breve será relegado ao esquecimento, não servindo nem como curiosidade histórica para os fãs de ficção científica e tecnologia.
Tron: Legacy (2010) - Dirigido por Joseph Kosinski; Com Garrett Hedlund, Jeff Bridges, Olivia Wilde, Michael Sheen, James Frain e Beau Garrett.
É curioso, portanto, que Hollywood tenha resolvido resgatar a história quase 30 anos depois. Trazendo como protagonista o jovem Sam Flynn (o insosso Garrett Hedlund), filho de Kevin Flynn (interpretado pelo mesmo Jeff Bridges do filme de 82), Tron - O Legado traz as ideias do original para o século XXI. Se naquela época Bill Gates mal havia criado a Microsoft e os conceitos de internet e interatividade estavam restritos apenas ao meio universitário, tornou-se inevitável adptar a história para abranger essa nova realidade. Ainda assim, podemos perceber uma certa igenuidade - também presente no primeiro longa - na maneira como a tecnologia e o mundo virtual são tratados. É como se o ciberespaço ainda fosse uma novidade inexplorada, não tendo havido nenhuma mudança nos últimos 28 anos na mentalidade de seus usuários.
Os roteiristas Edward Kitsis e Adam Horowitz não se preocupam muito em desenvolver e explicar a mitologia da série aos novos espectadores, o que é frustrante. Isso evidencia uma certa arrogância dos realizadores, que talvez imaginem o original como uma obra de relevância maior do que ela realmente tem, não havendo nenhuma introdução àquela realidade. É como se Kevin Flynn, a Grade e Tron fossem ícones de uma geração como Darth Vader, Spock ou os replicantes.
Assim como o longa de 82, Tron - O Legado aposta fortemente no visual e isso talvez seja seu único trunfo. Resgatando algumas marcas do original, como o design dos veículos e das roupas dos personagens, a fotografia nos mergulha num mundo sombrio, cujas unicas luzes são aquelas que representam os lados opostos na batalha (o azul dos mocinhos e o vermelho dos antagonistas). Vale como exercício assistir aos dois filmes e acompanhar como evoluiram os efeitos visuais criados por computador em 30 anos. Mesmo com tanto avanço, incomoda bastante a versão jovem de Jeff Bridges que, criada digitalmente, demonstra uma artificialidade que mais parece de um boneco de cera do que de um ser humano.
Bridges, como era de se imaginar, acaba criando o personagem mais interessante do filme, mesmo com as limitações impostas pelo roteiro. Comparações com o "Dude" de O Grande Lebowski foram feitas e são pertinentes - apesar do ator desta vez não ter uma atuação tão memorável. Quem acaba roubando a cena nos poucos momentos em que aparece é Michal Sheen, que interpreta uma espécie de Ziggy Stardust do mundo digital.
Mas a maior decepção com relação ao filme fica por conta do mal uso do 3D. Há até a tentativa do diretor Joseph Kosinski em criar uma espécie de "efeito O Mágico de Oz" ao empregar o 3D apenas nas cenas passadas dentro da Grade. Só que o próprio cineasta acaba se boicotando, ao gravar o filme com profundidade de campo baixa na maioria de suas cenas e mudando constantemente o foco da imagem. Ora, se o longa aposta na visão tridimensional porque usar técnicas típicas da linguagem em duas dimensões? Há que se considerar os fatores econômicos (o filme precisa ser vendido também em 2D, principalmente as cópias em DVD e Bluray, já que a maioria dos lares ainda não possuem tal tecnologia), mas fica claro que há sérias limitações na linguagem.
Apesar da ótima trilha sonora da dupla Daft Punk, Tron - O Legado fica abaixo até mesmo do original, que já não era grande coisa. Em breve será relegado ao esquecimento, não servindo nem como curiosidade histórica para os fãs de ficção científica e tecnologia.
Tron: Legacy (2010) - Dirigido por Joseph Kosinski; Com Garrett Hedlund, Jeff Bridges, Olivia Wilde, Michael Sheen, James Frain e Beau Garrett.
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