Final de ano, hora das listas. 2011 foi um ano bem mediano para o cinema. Poucos filmes realmente inesquecíveis, muitos medícres e algumas porcarias de sempre. Comecemos então pelos últimos. Entre os piores do ano, muitos blockbusters, o que demonstra que os últimos 12 meses não foram felizes para Hollywood em termos de qualidade (apesar de alguns dos piores de 2011 terem tido ótimas bilheterias). Apesar de estarem incluídos na lista apenas 10 filmes, é justo lembrar de alguns longas que decepcionaram bastante. 2011 não foi bom para os super-heróis: tanto os superestimados Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador, quanto o bobo (mas não tão ruim quanto dizem) Lanterna Verde ficaram no limbo da medicridade. Quem também não se deu bem foi a Pixar: Carros 2 não só é o pior do estúdio como pode ser considerado a maior decepção do ano.
Mas vamos então aos piores filmes de 2011 (em ordem decrescente de ruindade):
10. Sucker Punch - Mundo Surreal, de Zach Snyder
Snyder precisa urgentemente ir a um terapeuta. Um filme que parece ter sido feito para colocar em prática o sonho molhado de todo pré-adolescente espinhento e virgem: meninas de mini-saia com metralhadoras. Mas nem o mais fanático dos fãs do diretor de Watchmen e 300 consegue suportar essa tortura sem pé nem cabeça.
9. Padre, de Scott Stewart
Filme de ação genérico que chama atenção pela péssima direção, roteiro furado, clichês abundantes e atuações ridículas.
8. Conan – O Bárbaro, de Marcus Nispel
Faz o longa de John Milius realizado em 1982 parecer um Cidadão Kane simério. Jason Momoa é até mais expressivo que Schwarzenegger, mas é desperdiçado numa trama boba dirigida por um incompetente.
7. Uma Manhã Gloriosa, de Roger Michell
Comediazinha romântica genérica que passaria despercebida se não fosse sua 'mensagem' final, que glorifica a estupidez e chama todos seus espectadores de imbecis.
6. Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles, de Jonathan Liebesman
Uma ode ao poderio militar norte-americano, repleto de estereótipos, glorificações à guerra e ao suposto 'heroísmo' militar. Um filme ruim até como propaganda do exército.
5. O Turista, de Florian Henckel von Donnersmarck
Uma confusão pessimamente escrita e horrorosamente dirigida pelo mesmo cara que fez o ótimo A Vida dos Outros. Demonstração de como Hollywood é capaz sugar o talento de gente promissora e cuspir qualquer porcaria.
4. A Garota da Capa Vermelha, de Catherine Hardwicke
Adaptação do conto infantil com romances de dar sono, atuações canhestras e reviravoltas bobas, além do óbvio subtexto machista. Tudo para agradar a geração Crepúsculo.
3. A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, de Bill Condon
Quem disse que não podia piorar? Panfleto misógino que prega que à mulher só cabe o sofrimento calado perante a sociedade. Não só um filme ruim, mas uma obra que só poderia ser aceita como 'normal' numa época anterior ao século XIX.
2. Cilada.com, de José Alvarenga Jr.
Série de esquetes televisivos sem graça, realizado por gente sem o mínimo talento para a coisa.
1. Transformers: O Lado Oculto da Lua, de Michael Bay
Michael Bay é igual à "saga" Crepúsculo: sempre se supera. Bobagem sem nexo e sem sentido, direção ridícula, diálogos estúpidos, machismo escancarado. É o padrão Bay de qualidade.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
Histórias Cruzadas
Nota: 4/10
Um dos períodos mais vergonhosos da história americana se deu durante parte dos séculos XIX e XX quando, mesmo abolida a escravidão, os negros eram tratados como pessoas de segunda linha, sendo distinguidos dos brancos até mesmo nas leis e nos direitos civis. Histórias Cruzadas, segundo longa do diretor/roteirista Tate Taylor, aborda parte deste período, passando-se no início dos anos 1960, em uma cidade do Mississipi, então um dos estados mais racistas dos Estados Unidos. Centrado em personagens femininas (os homens são meros figurantes na história), o filme acompanha três famílias brancas e suas respectivas empregadas negras. A protagonista é Eugênia Skeeter (Emma Stone), uma jovem que, ao contrário de suas contemporâneas, sonha em ser jornalista e escritora ao invés de apenas se casar e ter filhos, como era o destino das mulheres à época. Contratada por uma grande editora, seu principal – e ousado – projeto é organizar um livro contendo depoimentos daquelas mulheres negras, ouvindo suas histórias e confissões, além de relatar os casos explícitos de racismo e humilhações que sofriam.
A premissa interessante, potencialmente dramática por ter como temas principais o racismo e a emancipação feminina, acaba desperdiçada pela mão pesada de Taylor, que resolve apostar no melodrama e no maniqueísmo ao invés de desenvolver suas personagens. Esses problemas ficam claros principalmente na caracterização do "núcleo" branco do longa, repleto de personagens rasas e estereotipadas. A principal delas é a Hilly Holbrook de Bryce Dallas Howard, retratada como uma vilã cartunesca que só faltava soltar uma risada cruel a cada maldade cometida. Mesmo os personagens que demonstram maior compaixão com os negros são mostrados como caricaturas, desde a protagonista "moderninha" de Emma Stone, até a perua fútil e estúpida interpretada por Jessica Chastain. Chastain, aliás, que entregou uma atuação sutil e eficiente em A Árvore da Vida, aqui aparece constrangedora, sendo inacreditável que seu nome esteja cotado ao Oscar de coadjuvante por este papel.
O contrário pode ser sido sobre Viola Davis e Octavia Spencer. Interpretando as principais personagens negras, as duas criam as figuras mais complexos do longa, demonstrando o sofrimento por que passam sem apelar para atuações caricatas e superficiais, fazendo o possível dentro do limitado texto de Taylor. Diferentes na forma como encaram o racismo e as humilhações que sofrem – Aibileen (Davis) é mais introspectiva e não demonstra seu sofrimento, enquanto que Minny (Spencer) se revolta mais facilmente –, elas conseguem transformar o longa em algo assistível toda vez que estão em cena. Davis, narradora da história, acaba sendo o maior trunfo do filme, retratando de forma sutil o carinho e o desespero de sua personagem. Já Spencer, por outro lado, serve mais como alívio cômico, o que mostra o quanto o roteiro e direção são equivocados (afinal, além de sofrer com o preconceito de suas patroas, ela ainda apanha do marido). Ainda assim, a atriz consegue ter uma ótima atuação, destacando-se sempre que se encontra em cena.
É exatamente aí que mora o maior erro de Taylor: ele não percebe a história potencial que tem em mãos, focando mais nas irritantes personagens brancas, que são o centro do filme. Mesmo narrado por uma das empregadas, a verdadeira protagonista é a insossa personagem de Stone, sendo sempre perdido um tempo enorme com questões irrelevantes como o compromisso amoroso dela com Stuart (Chris Lowell) ou seus problemas com a mãe. Isso faz com que aquelas que o filme advoga que deveriam ter mais voz (os negros) acabam relegados ao segundo plano numa história que retrata mais as idiossincrasias dos costumes brancos daquela época do que a conquista da igualdade racial. Além disso, como se a própria existência do racismo não fosse suficiente para indignar seus expectadores, o diretor/roteirista força a barra, apelando para crianças chorando, diálogos forçados (como a empregada que pede dinheiro emprestado a Hilly) e personagens unidimensionais.
Mesmo com aspectos técnicos muito bem feitos, em especial os figurinos, a direção de arte e a fotografia – com um ligeiro tom sépia –, Histórias Cruzadas acaba sendo uma historinha infantilizada e melodramática sobre um problema sério. E se Taylor mostra-se incompetente até ao escolher uma música de Bob Dylan, famoso pelas canções sobre direitos civis (ele opta por Don't Think Twice, It's All Right, sobre o fim de um relacionamento), ainda assim deve levar às lágrimas muitos espectadores, o que explica o sucesso comercial do filme lá fora. É exatamente essa aposta no melodrama artificial, mais do que suas qualidades, que o transformam em um candidato forte ao Oscar. Resumindo: Histórias Cruzadas tem tudo para ser o Um Sonho Possível de 2012.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Oscar 2012: a corrida vai começar
Em alguns dias começa a temporada de prêmios do cinema norte-americano que culmina com a entrega do Oscar. Mas a corrida começa bem antes. No dia 15 de dezembro saem os indicados ao Globo de Ouro. Ainda durante todo o mês que vem, serão anunciados os premiados pelas várias associações de críticos espalhadas pelos EUA. No início de 2012, é a vez dos sindicatos (de atores, produtores, diretores, etc.) anunciarem seus favoritos. Por fim, os indicados da Academia saem em 24 de janeiro, um mês antes da premiação, que acontecerá no dia 26 de fevereiro.
Com tantas “prévias”, não é a toa que o Oscar tem se tornado, ano após ano, em um evento previsível e sem novidades. Para 2012, a Academia resolveu inovar, mudando as regras para os indicados a melhor filme. Os escolhidos agora podem variar entre um mínimo de cinco e um máximo de dez filmes. Além de terem boa votação entre os mais de seis mil membros da Academia, os longas devem possuir um mínimo de 5% de votos em primeiro lugar. Ou seja: não basta apenas ter um número grande de simpatizantes, o filme agora precisa ser eleito por parte dos votantes como o melhor. Isso acaba gerando um pouco de incerteza quanto aos concorrentes, mas a tendência é que, depois de anunciados os indicados, a previsibilidade seja a mesma.
The Descendants:nome certo entre os indicados
Em 2010, nessa altura do ano, as coisas já estavam mais ou menos encaminhadas. A impressão – que veio a ser confirmada – era de uma disputa polarizada entre A Rede Social e O Discurso do Rei (até então, o filme de David Fincher era considerado favorito, mas foi aos poucos sendo ultrapassado pelo do rei gago). Minhas Mães e Meu Pai e Inverno da Alma eram os indies da vez, enquanto que A Origem já parecia presença garantida (inclusive a indicação de Christopher Nolan, que acabou não acontecendo). Os nomes de Colin Firth e Natalie Portman (Cisne Negro) já eram considerados favoritos aos prêmios de melhor ator e atriz. Bravura Indômita, O Vencedor e 127 Horas também eram aguardados com ansiedade e tidos como nomes fortes.
Este ano, existem mais dúvidas que certezas. Até agora, apenas dois filmes estão sendo considerados certos entre os indicados: The Descendants, primeiro longa de Alexander Payne desde Sideways, de 2003; e The Artist, do francês Michel Hazanavicious. O problema é que nenhum dos dois tem “cara” de vencedor do Oscar. O filme de Payne desponta como favorito, mas seria independente demais. Já The Artist, além de ser francês (mas com vários americanos no elenco), é um filme mudo passado na década de 1920, início da era de ouro de Hollywood. Pesam a favor de ambos as ótimos críticas que vêm recebendo, além do fato de Payne já ser conhecido (e já ter sido indicado e premiado anteriormente), e do longa de Hazanavicious ser uma homenagem ao cinema clássico norte-americano.
War Horse: Spielberg na disputa
O favoritismo de filmes pouco usuais para o Oscar também é reflexo da incerteza com relação aos competidores mais tradicionais. J. Edgar, de Clint Eastwood, até um mês atrás cotadíssimo para estar entre os indicados, tem recebido críticas pesadas e suas chances foram consideravelmente diminuídas (é difícil até que seja indicado). Já War Horse, de Steven Spielberg, continua na briga, mas ainda não estreou. O trailer não deixou muita gente animada – na verdade, As Aventuras de Tintin, também dirigido por ele, tem gerado bem mais expectativa.
Dos filmes que estrearam lá fora há mais tempo, podemos destacar dois: Meia-noite em Paris, de Woody Allen e The Help (Histórias Cruzadas, no Brasil), de Tate Taylor. O primeiro é considerado uma volta ao grande estilo do diretor/roteirista (Allen deve receber sua 15ª indicação a melhor roteiro original). Já o segundo, apesar de não ter sido uma unanimidade de crítica, foi um sucesso de público e seu tema (racismo) tem potencial para emocionar muitos membros da Academia. Outro filme cotado é Moneyball (br: O Homem que Mudou o Jogo), que de forma discreta ganhou destaque e já aparece nas listas de possíveis indicados. Enquanto isso, A Árvore da Vida, de Terrence Malick, permanece uma incógnita. O filme é uma obra difícil e não possui a menor característica de "oscarizável", mas pode ser favorecido pelas novas regras, já que seus admiradores costumam colocá-lo entre os melhores do ano. Não seria surpresa vê-lo entre os indicados, apesar disso não ser o mais provável.
Extremely Loud: quarta indicação de Stephen Daldry?
A lista não termina por aí. Extremely Loud and Incredibly Close (br: Tão Forte e Tão Perto), de Stephen Daldry, está presente em todas as listas de possíveis indicados, mas também não estreou. Aliás, uma curiosidade: caso receba a nomeação a melhor diretor, Daldry manterá a escrita de ser indicado por todos os seus filmes (os outros foram Billy Elliot, As Horas e O Leitor). Já A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, tem sido muito bem recebido e, apesar de não ser um típico filme de Oscar (é voltado ao público infantil), conta com um nome de peso na direção. Pode ser que repita o feito de Babe, o Porquinho Atrapalhado, indicado a melhor filme em 1996.
Além de todos os citados, alguns outros filmes correm por fora. Tinker, Taylor, Soldier, Spy (br: O Espião que Sabia Demais) foi bem recebido no festival de Veneza e está na briga (só que possui mais chances na categoria de melhor ator). Enquanto isso, We Bought a Zoo, novo de Cameron Crowe, e Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher, ainda não foram exibidos e podem entrar entre os indicados na última hora. Outro que pode entrar na disputa é Young Adult, projeto que volta a reunir Jason Reitman na direção e Diablo Cody no roteiro (dupla que fez sucesso com Juno). Já Harry Potter 7.2 possui algumas chances. A Warner tem promovido bastante o filme, em busca de ao menos uma indicação. Se ela vier, deve parar por aí.
Como podemos ver, ainda tem muita coisa para acontecer e a temporada de prêmios nem começou. Aqui no blog continuaremos acompanhando e, nos próximos dias, falaremos sobre como andam as disputas pelos prêmios nas outras categorias.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Planeta dos Macacos: A Origem
Quando a Fox planejava produzir Planeta dos Macacos em 1968, baseado no livro de Pierre Boulle, deparou-se com um problema: como caracterizar os os símios do filme de maneira realista, fazendo com que as pessoas levassem tanto o longa quanto seus personagens a sério. Os produtores foram salvos pela maquiagem revolucionária de John Chambers, que não apenas era bastante realista como permitia que os atores por trás das máscaras pudessem se expressar através de movimentos faciais e, principalmente, do olhar.
Mais de 40 anos depois, o estúdio resolveu novamente retornar à franquia (depois da fracassada versão de Tim Burton em 2001). Ao invés de readaptar a obra original, a escolha foi por fazer um prequel, explicando como a Terra viria a se tornar o planeta dominado pelos símios. E mais uma vez a escolha sobre como retratar os protagonistas se mostrou crucial. Na era pós-Senhor dos Aneis e King Kong, foi natural a escolha de Andy Serkis e da WETA Digital para dar vida a essas criaturas através do sistema de captura de movimentos. Se aqui e ali os animais revelam sua origem artificial, na maior parte das vezes eles surgem mais humanos do que os próprios protagonistas de carne e osso. Isso graças ao talento que Serkis já havia demonstrado ao interpretar Gollum e o macaco gigante: o de passar sentimentos complexos através do olhar.
Mas se há uma clara preocupação com o desenvolvimento das criaturas digitais, ela praticamente inexiste com aquelas de carne e osso. Somente a relação entre Will Rodman (James Franco) e seu pai Charles (John Lithgow) é mais aprofundada pelo roteiro de Rick Jaffa e Amanda Silver. Rodman é um cientista testando um novo tipo de vírus que pode vir a ser a cura para o mal de Alzheimer - doença que seu pai sofre. É durante testes com macacos que ele percebe que o vírus melhora aspectos da cognição dos símios, tornando-os superinteligentes. Depois de um problema no laboratório que faz com que os animais sejam sacrificados, Will leva para casa o chimpanzé recém-nascido Cesar (Serkis), filho de uma macaca que já havia sido inoculada com o vírus. Conforme cresce, Cesar vai demonstrando uma capacidade cada vez maior de raciocínio e compreensão do mundo à sua volta.
Tanto Franco quanto Lithgow entregam performances boas com seus personagens, fazendo com que acreditemos naquela relação e nas motivações do cientista. Já os outros humanos da trama são extramemente mal caracterizados. O chefe de Will, Steven Jacobs (David Oyelowo), é retratado de forma maniqueísta, como um executivo que só busca o lucro a qualquer custo, um típico vilão cartunesco que só faltava gargalhar ao fim de suas falas crueis. Já Brian Cox não compromete tanto, apesar de seu personagem também ser caricatural, enquanto que Tom Felton repete seu Draco Malfoy, correndo o risco de ficar marcado por esse tipo de papel. E o que dizer de Freida Pinto, claramente um desperdício de celulose, já que sua personagem não possui a menor justificativa para existir na trama a não ser o de haver ao menos uma presença feminina no filme.
O fato é que Planeta dos Macacos: A Origem só funciona por causa de seus protagonistas símios. É emocionante vermos a evolução de Cesar como líder e a forma como ele conquista a confiança dos outros animais. O confronto durante o clímax é tenso e muito bem dirigido por Rupert Wyatt, que não compromete na maior parte do longa. O triste é constatar que os roteiristas acreditam que a única forma de fazer com que "torçamos" contra a raça humana é retratar a maioria de seus membros como criaturas unidimensionais. Um artifício pobre que já havia sido usado recentemente em Distrito 9, filme com temática parecida, e que volta a aparecer aqui. Claramente uma afronta à inteligência de seu público.
Aquém do clássico de 1968, Planeta dos Macacos: A Origem agrada graças às criaturas digitais criadas por Serkis e pela WETA, servindo como uma boa introdução à série. E pela característica demonstrada pelos humanos no longa não é difícil imaginá-los se transformando nos seres mudos e estúpidos vistos na obra original.
Rise of the Planet of the Apes (EUA, 2011). Dirigido por Rupert Wyatt. Com Andy Serkis, James Franco, John Lithgow, Freida Pinto, David Oyelowo, Brian Cox, Tom Felton, Tyler Labine e Jamie Harris.
Assinar:
Postagens (Atom)


















