terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Oscar 2012: os indicados

A lista do Oscar 2012 saiu. E no meio de várias obviedades e algumas surpresas, vamos aos comentários sobre as principais categorias:

Melhor Filme

Indicados: O Artista, Os Descendentes, Histórias Cruzadas, O Homem que Mudou o Jogo, A Invenção de Hugo Cabret, Meia-Noite em Paris, Cavalo de Guerra, A Árvore da Vida e Tão Alto e Tão Perto.

A maior surpresa (uma das menos esperadas) foi Tão Alto e Tão Perto entrando na lista, depois de ter sumido de praticamente todas as previsões. O número de indicados também surpreendeu: esperava-se que ficasse entre seis e oito filmes, mas acabaram entrando nove. Quem ficou de fora foi Os Homens que Não Amavam as Mulheres.

Melhor Diretor

Indicados: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret), Michel Hazanavicius (O Artista), Alexander Payne (Os Descendentes), Woody Allen (Meia-Noite em Paris) e Terrence Malick (A Árvore da Vida).

Allen e Scorsese chegaram à sétima indicação nesta categoria, passando Steven Spielberg como os diretores vivos com mais nomeações. A surpresa, bastante bem-vinda, foi a inclusão de Terrence Malick. Esperava-se mais a presença de David Fincher, para compensar a palhaçada do ano passado, mas a admiração dos diretores por Malick é aparentemente maior.

Melhor Atriz

Indicadas: Meryl Streep (A Dama de Ferro), Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn), Viola Davis (Histórias Cruzadas), Glenn Close (Albert Nobbs) e Rooney Mara (Os Homens que Não Amavam as Mulheres).

Esperava-se uma indicação de Tilda Swinton, mas era arriscada - mesmo que sua atuação seja a única coisa que presta em Precisamos Falar Sobre Kevin, o filme é independente demais para a Academia. No lugar dela entrou Rooney Mara, que também era cotada.

Melhor Ator

Indicados: George Clooney (Os Descendentes), Jean Dujardin (O Artista), Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo), Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais) e Demian Bichir (A Better Life).

Aqui tivemos outras boas surpresas. Apesar de Bichir ter sido indicado ao SAG, ninguém botava muita fé que também estaria presente na lista do Oscar. Os favoritos das pré-listas, Leonardo DiCaprio e Michael Fassbender, caíram fora por motivos diferentes (o primeiro porque o filme não era tão bom; o segundo porque, bem, o personagem é um viciado em sexo e o longa é bem forte para os conservadores da Academia). Acabou sendo bom para Gary Oldman, que merecidamente foi lembrado por sua belíssima atuação em O Espião que Sabia Demais.

Melhor Atriz Coadjuvante

Indicadas: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas), Jessica Chastain (Histórias Cruzadas), Berenice Bejo (O Artista), Janet McTeer (Albert Nobbs) e Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento).


Como falei no meu post com as previsões sobre os indicados, as atrizes nomeadas aos SAG levavam vantagem sobre Shailene Woodley (Os Descendentes) e foi o que realmente aconteceu.


Melhor Ator Coadjuvante


Indicados: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor), Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn), Nick Nolte (Guerreiro), Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo) e Max Von Sydow (Tão Alto e Tão Perto).


Aqui aconteceu uma das maiores surpresas (e injustiças) do dia: Albert Brooks (Drive), considerado como certo e um dos favoritos, atrás apenas de Plummer, cedeu espaço para o veterano Von Sydow. E reclamou no twitter (no qual possui uma conta divertidíssima) para a Academia: "Fui ROUBADO. Não digo sobre o Oscar, digo literalmente. Minhas calças e sapatos foram roubados. E para a Academia: 'Vocês não gostam de mim. Vocês realmente não gostam de mim.'" Ou seja: o Oscar ficou mais chato.


Melhores Roteiros


Indicados (Original): Meia-Noite em Paris, Missão Madrinha de Casamento, O Artista, Margin Call - O Dia Antes do Fim e A Separação.
Indicados (Adaptado): Os Descendentes, A Invenção de Hugo Cabret, O Homem que Mudou o Jogo, Tudo Pelo Poder e O Espião que Sabia Demais.


Poucas surpresas nessa categoria, a maioria positivas como a indicação de Margin Call e A Separação (que, se não eram totalmente esperadas, eram possíveis), além da ausência do péssimo Histórias Cruzadas (o que pode indicar que o filme não é favorito em filme). A ausência que mais chamou atenção foi a de Os Homens que Não Amavam as Mulheres em roteiro adaptado.




Nas categorias técnicas, a predominância ficou com A Invenção de Hugo Cabret, Cavalo de Guerra e O Artista, como já era esperado. Histórias Cruzadas não foi nomeado a nada, o que é um ótimo sinal. Uma surpresa grande foi a não indicação de As Aventuras de Tintim em Melhor Animação. Como eu acreditava que Tintim estava se tornando favorito a vencer o prêmio, sua ausência abre espaço para a vitória de Rango.


Os Oscars serão entregues no dia 24 de fevereiro e blog acompanhará a cerimônia.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Apostas para o Oscar 2012

Várias coisas mudaram desde meu primeiro post sobre a corrida para o Oscar 2012. Favoritos caíram, alguns filmes voltaram a ser considerados e outros se consolidaram. The Artist vem aparecendo como o frontrunner (foi indicado pela maioria dos sindicatos e venceu boa parte dos prêmios da crítica, incluindo o Critic's Choice Awards), mas sua vitória no Oscar, apesar de ser a mais esperada, ainda não é certeza. Vamos então às minhas apostas nas categorias principais, já que a votação foi fechada no último dia 13 e o que acontecer daqui para frente não influenciará quanto aos indicados:



Melhor Filme 

A Árvore da Vida e The Artist dividiram a maioria dos prêmios da crítica, com alguns outros indo para Os Descendentes, A Invenção de Hugo Cabret e Drive. Mas os longas de Terrence Malick e Nicolas Refn vêm sendo ignorados pelas principais prévias do Oscar. Woody Allen deve ter seu terceiro filme nomeado na categoria (o último foi Hannah e Suas Irmãs, de 1985). Cavalo de Guerra, Histórias Cruzadas e Moneyball - O Homem que Mudou o Jogo também são nomes fortes. Tão Alto e Tão Perto foi muito mal recebido, enquanto que Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres ganhou muita força na última semana, principalmente depois que David Fincher foi indicado ao DGA. Atualmente, acredito que serão oito os indicados, com a possibilidade de A Ávore da Vida entrar na lista caso consiga angariar muitos 1°s lugares entre os votantes.

Minhas apostas (em ordem do mais provável ao menos provável): The Artist; Os Descendentes; A Invenção de Hugo Cabret; Histórias Cruzadas; Meia-Noite em Paris; Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres; Cavalo de Guerra e O Homem que Mudou o Jogo.
Também têm chances: A Árvore da VidaTudo Pelo Poder; Missão Madrinha de Casamento; Tão Alto e Tão Perto.



Melhor Diretor

Michel Hazanavicius, Martin Scorsese e Alexander Payne são nomes certos (os dois primeiros são os favoritos). Aliás, podemos ter os três diretores vivos com maior número de indicações na categoria concorrendo este ano: além de Scorsese, Steven Spielberg e Woody Allen também têm chances - todos com seis nomeações até hoje. Ainda assim, o mais provável é que Spielberg fique de fora, já que seu filme não tem fãs muito entusiasmados e por ter sido esnobado pelo DGA. Terrence Malick teria chances maiores de reconhecimento aqui, mas também parece ter sido esquecido. A última vaga parece encaminhada para David Fincher, lembrado pelo DGA - uma compensação depois do vexame do ano passado.

Minhas apostas: Michel Hazanavicius (The Artist); Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret); Alexander Payne (Os Descendentes); Woody Allen (Meia-Noite em Paris) e David Fincher (Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres).
Também têm chances: Steven Spielberg (Cavalo de Guerra); Terrence Malick (A Árvore da Vida); Nicolas Winding Refn (Drive); Bennet Miller (O Homem que Mudou o Jogo).



Melhor Ator

George Clooney e Jean Dujardin brigarão pelo prêmio - com Brad Pitt correndo por fora. Se esses três nomes são certeza, os outros dois ainda geram dúvidas. Leonardo DiCaprio pintou forte no início da corrida, caiu depois que J. Edgar foi mal recebido, mas voltou à disputa depois de indicado ao SAG e ao Globo de Ouro. Michael Fassbender também está sendo muito elogiado, mas seu filme é considerado difícil e pode ser que fique de fora. Michael Shannon e Damian Bichir (que não pintava em lista nenhuma até ser nomeado ao SAG) podem surpreender. Já Gary Oldman deve ficar mais uma vez sem a indicação, mesmo com um papel elogiadíssimo.


Minhas apostas: George Clooney (Os Descendentes); Jean Dujardin (The Artist); Brad Pitt (Moneyball); Leonardo DiCaprio (J. Edgar) e Michael Fassbender (Shame).
Também têm chances: Michael Shannon (O Abrigo); Damian Bichir (A Better Life); Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais); Ryan Gosling (Tudo Pelo Poder).



Melhor Atriz

A única com chances de tirar o terceiro Oscar da carreira de Meryl Streep é Viola Davis. Além das duas, Michelle Williams também parece aposta certa entre as indicadas. Depois de várias atuações bastante elogiadas, Tilda Swinton deverá ser reconhecida, mesmo que por um filme independente. A última vaga pode ficar para uma veterana (Glenn Close), uma ex-vencedora (Charlize Theron) ou para uma jovem revelação (Rooney Mara ou Elizabeth Olsen).

Minhas apostas: Meryl Streep (A Dama de Ferro); Viola Davis (Histórias Cruzadas); Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn); Tilda Swinton (We Need to Talk About Kevin) e Glenn Close (Albert Nobbs).
Também têm chances: Rooney Mara (Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres); Charlize Theron (Jovens Adultos); Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene).



Melhor Ator Coadjuvante

Aqui o mais certo é o futuro vencedor: o veterano Christopher Plummer. O competidor aparentemente mais forte, Albert Brooks, foi ignorado pelo SAG, mas ainda segue com certa força para o Oscar. Kenneth Branagh também parece certo, mas os outros nomes nem tanto.

Minhas apostas: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor); Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn); Albert Brooks (Drive); Nick Nolte (Guerreiro) e Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo).
Também têm chances: Armie Hammer (J. Edgar); Patton Oswalt (Jovens Adultos); Viggo Mortensen (Um Método Perigoso); Philip Seymour Hoffman (Tudo Pelo Poder); Corey Stoll (Meia-Noite em Paris).


Melhor Atriz Coadjuvante

Outra categoria parcialmente preenchida. Duas indicações devem ir para Histórias Cruzadas: Octavia Spencer e Jessica Chastain, que devem disputar o prêmio. O resto está aberto, mas com poucas concorrentes. As indicadas ao SAG Janet McTeer, Bérénice Bejo e Melissa McCarthy estão na frente de Shailene Woodley, que também tem chances.

Minhas apostas: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas); Jessica Chastain (Histórias Cruzadas); Bérénice Bejo (The Artist); Janet McTeer (Albert Nobbs) e Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento).
Também tem chances: Shailene Woodley (Os Descendentes).


Hoje a noite serão entregues os Globos de Ouro, que não influenciam muito o Oscar, mas já dá um gostinho da temporade de prêmios. O blog continuará acompanhando.


sábado, 31 de dezembro de 2011

Os melhores de 2011 - parte 2

Assisti a 204 filmes em 2011, 89 lançados nos cinemas este ano. Foi um recorde pessoal, mas ainda abaixo do que eu pretendia (monografia da faculdade atrapalhou bastante). A seguir, os derradeiros melhores do ano:

10. Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, de Apichatpong Weerasethakul

O filme mais estranho e singular do ano, vale pela linda fotografia, pelo estilo único e a simplicidade de um cinema diferente, mas nem por isso menos belo.



9. Melancolia, de Lars Von Trier

Von Trier não precisa de polêmicas para se promover e Melancolia prova isso. Uma profunda história sobre a depressão, os rigores sociais e a fuga. Nunca o fim do mundo foi tão belo.


8. A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar

A velha discussão almodovariana sobre identidade e sexualidade numa hitória de vingança surpreendente.



7. Rango, de Gore Verbinski

O maior espetáculo visual de 2011 veio de um diretor e de um estúdio que nunca haviam trabalhado com animações antes. E deixou a Pixar no chinelo.


6. X-men: Primeira Classe, de Matthew Vaughn

Mais um belo filme da franquia X-men, mais uma vez centrado na força de seus personagens, sem deixar de lado suas origens dos quadrinhos. Ah, se todo filme de super-heróis fossem assim...


5. Bravura Indômita, de Joel e Ethan Coen

Os Coen mais uma vez mostram que estão em uma fase incrível (que dura desde Onde os Fracos Não Têm Vez) e recriam um clássico muito superior ao original.


4. Cisne Negro, de Darren Aronofsky

Belo e assustador ao mesmo tempo, é um trabalho completo de Aronofsky, que casa perfeitamente com sua outra obra-prima O Lutador.


3. Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami

Complexo e enigmático, é um exercício cinematográfico pouco usual sobre a natureza da arte e os arquétipos sociais.


2. Homens e Deuses, de Xavier Beauvois

A relação entre um grupo de pessoas e seus deuses de forma humanista e sóbria. Demonstração de como, acima da religião, somos todos humanos.


1. A Árvore da Vida, de Terrence Malick

Um espetáculo visual e sonoro, capaz de fazer refletir como poucos. A maior experiência cinematográfica do ano.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Os melhores de 2011 - parte 1

Dando uma conferida na minha lista de 2010, cheguei à conclusão que 2011 foi um ano menos regular, com poucos filmes realmente inesquecíveis. Tivemos sim algumas surpresas (as comédias Passe Livre e Missão Madrinha de Casamento, por exemplo), mas muitos filmes medianos entre os 89 filmes lançados no cinema este ano nos cinemas que pude assistir. Como restringi a lista aos lançamentos nacionais, alguns que já vi que certamente entrariam (como Drive e A Separação - que ficarão pro ano que vem - e Reino Animal - que não entrou em circuito no Brasil) ficaram de fora. Como destaques que acabaram não entrando entre os vinte melhores, posso citar Planeta dos Macacos - A Origem, Super 8, O Palhaço e O Garoto de Bicicleta.

A seguir, a primeira parte dos vinte melhores filmes do ano:


20. Tudo Pelo Poder, de George Clooney

Excelente retrato de uma campanha política, provocando reflexões sobre ética e ideologia. Um conto sobre a perda da inocência. Uma das ótimas atuações de Ryan Gosling no ano.



19. Missão Madrinha de Casamento, de Paul Feig

Uma das surpressas do ano. Comédia produzida por Judd Apatow, uma versão feminina de O Virgem de 40 Anos e Superbad. Melissa McCarthy rouba a cena nessa história sobre amizades femininas.


18. Trabalho Interno, de Charles Ferguson

Documentário vencedor do Oscar obrigatório sobre a crise financeira de 2008, com informações claras (mesmo que complexas) e entrevistas esclarecedoras. Entra na lista pela importância e relevância.


17. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2, de David Yates

Final em grande estilo para a saga (essa faz jus à expressão) que, apesar de inferior ao filme anterior, cumpre muito bem o seu papel.



16. Namorados para Sempre, de Derek Cianfrance

Um romance denso e melancólico pessimamente distribuído no Brasil (além do título estúpido, foi lançado no dia dos namorados). Apesar disso, conta com um casal principal espetacular, formado por Michelle Williams e Ryan Gosling (de novo!) e faz refletir sobre a natureza dos relacionamentos.



15. Poesia, de Lee Chang-Dong

Um filme sensível sobre a vida, a doença e a capacidade de enxergar o belo mesmo em uma realidade cruel. É a jóia coreana do ano.



14. Meia Noite em Paris, de Woody Allen

Allen voltando a realizar um grande filme, com referências culturais, fantasia e situações hilárias. Não fica devendo em nada a um Hemingway, um Fitzgerald, um Picasso ou um Dali.




13. O Vencedor, de David O. Russell

Um drama familiar leve, profundo e muito bem atuado. Um dos injustiçados do Oscar 2011.




12. Um Lugar Qualquer, de Sofia Coppola

Coppola atinge a maturidade e dá uma bela cutucada na indústria cinematografica, no star system e na imprensa do oba-oba.



 11. Margin Call - O Dia Antes do Fim, de J. C. Chandler

Uma espécie de versão ficcional do documentário Trabalho Interno, com elenco afiado e ótimo roteiro. O melhor "filme de estreante" do ano.